DESAFIO

1- Aumentar progressivamente o tempo de leitura diária

Essas recomendações são baseadas nos artigos citados em questões do ENADE 2021 e 2024 (as provas mais recentes disponíveis).

Não acho que esses textos vão cair novamente. Eles estão sendo sugeridos como uma forma de aumentar o tempo de leitura de textos acadêmicos até a Prova Nacional Docente.

Referências

HOFFMAN, D. C. L. Psicologia, esporte e inclusão: considerações sobre o transtorno do espectro autista e a inclusão social por meio de atividades esportivas. Revista da Graduação em Psicologia da PUC Minas, v. 3, n. 6, jul./dez. 2018, p. 574-575 (adaptado).

É um texto bem simples, foi escrito por uma psicóloga, então não é uma pessoa da Educação Física, e ela explica ali no texto que ela se interessou por pensar como que a Educação Física trabalharia com pessoas com transtorno do espectro autista, e por isso ela faria uma revisão de literatura para entender o que a Educação Física coloca como possibilidades. Eu achei o texto um pouco fraco, porque no fim das contas meio que não fala, ela diz que encontrou 14 textos, mas ela não fala desses 14 textos. Mas ainda assim foi interessante entender as possibilidades e a defesa de que a psicologia do esporte também pode trabalhar com esses conteúdos. E o que eu realmente achei interessante é uma pessoa de outra área tendo que argumentar que a Educação Física não é só trabalhar com atletas, não é só trabalhar rendimento, também tem a possibilidade de trabalhar socialização e outras habilidades que poderiam ser importantes para os alunos, no caso, do transtorno do espectro autista.

BETTI, M. et al. Fundamentos filosóficos e antropológicos da Teoria do Se-movimentar e a formação de sujeitos emancipados, autônomos e críticos: o exemplo do currículo de Educação Física do Estado de São Paulo. Movimento, Porto Alegre, v. 20, n. 4, p. 1.631-1.653, out./dez. 2014 (adaptado).

Para quem já estudou abordagens pedagógicas, vai achar bem interessante, porque fala dos fundamentos filosóficos e antropológicos da teoria do se-movimentar. E a teoria do se-movimentar é trazida pelo Elenor Kuntz, da Crítico-Emancipatória. Só que quem escreve o texto é o Mauro Betti, que é da Abordagem Sistêmica, e também entre os autores está o Josimar Daolio, que é da Abordagem Cultural ou Abordagem Plural. E aí é interessante que eles trazem esses fundamentos, essa base filosófica e antropológica que o Kuntz utilizou. Então é um texto difícil, se você for ler esse texto, se prepare. Eu achei bem difícil. Por mais que eu já conhecesse um pouco do que os autores falavam, mas as citações que eles trazem ali dos outros autores é bem complicada de entender. Você vai e volta, e de repente você percebe, “poxa, eu realmente não estou entendendo o que significa isso”. Mas eu fiz toda a leitura e foi interessante. Eles mostram como o Currículo do Estado de São Paulo para Educação Física utilizou essa teoria lá na versão de 2008. A versão atual já não tem esse enfoque. Foi uma leitura que recupera bastante sobre abordagens pedagógicas, mas foi bastante difícil. Eu acho que não seria um texto que seria cobrado de uma forma direta em concurso. Isso é realmente nível de pós-graduação. Eu diria até que nível de doutorado. Muitos alunos de mestrado provavelmente teriam bastante dificuldade de entender esse texto. Mas também foi um texto interessante e desafiador. Desafiador no sentido de manter a atenção durante a leitura, justamente porque é um texto difícil. Então, para quem está aí nesse desafio e quer também fazer essa leitura, já vá preparado, mas eu acho que vale a pena. Vale a pena para esse teste de concentração em cima de um texto difícil, em cima de texto que traz palavras mais difíceis ou conceitos mais difíceis, mas é uma forma também de exercício importante.

VERZANI, R. H.; et al. Diálogos entre Educação Física e Tecnologias: Novas perspectivas? Rev. Saúde Digital. Tec. Edu. Fortaleza, CE, v. 4, n. 2, p. 58-68, ago./dez. 2019 (adaptado).

A proposta do título é abordar como a tecnologia se relaciona com a Educação Física, mas, na prática, o texto fala de atividade física. É uma pesquisa feita com pessoas que utilizam aplicativos que mapeiam as suas atividades, especialmente corrida e ciclismo. E sendo um texto de 2019, acaba ficando muito datado para o tema de tecnologia, já que muita coisa mudou desde então. Vale como toda leitura, mas não é um texto pra se prender pensando no conteúdo em si. A discussão não é muito crítica, se limita a descrever os dados sem trazer grandes novidades ou reflexões.

CRELIER, C. M.; SILVA, C. A. F. Africanidade e Afrobrasilidade em Educação Física Escolar. Movimento, Porto Alegre, v. 24, n. 4, p. 1.307-1.320, 2018 (adaptado). Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.639.htm. Acesso em: 1 jun. 2020 (adaptado).

É um texto que ajuda na contextualização da questão das matrizes, especialmente africanas, na Educação Física, mas além disso, ele é muito bom, muito interessante. É de uma pesquisa que os autores fizeram com alunos da Rede Pública do Rio de Janeiro sobre essas questões de Africanidade e Afro-Brasilidade na educação física. Muitas coisas me deixaram bem refletindo, assim, porque também faz referência à legislação e a obrigatoriedade de trabalhar as matrizes africanas. Só que, apesar dela existir, os professores ainda não trabalham com ela, ou têm dificuldade. Esse assunto acaba sendo bastante delicado de ser trabalhado, embora não devesse. E o texto traz vários indicadores sobre isso, então é um conteúdo que vale a pena.

DARIDO, S.C. Temas Transversais e a Educação Física Escolar. Disponível em: https://acervodigital.unesp.br/bitstream/123456789/41550/1/01d19t04.pdf. Acesso em: 20 jun. 2020 (adaptado).

Esse texto é muito conhecido, muito utilizado também em questões de concurso. Eu já tinha lido ele antes, mas é sempre bom reler. E aí vale, né, para você que fala, “ah, já assisti essa aula, não preciso assistir de novo”, ou “já li esse texto, não preciso ler de novo”. Precisa, precisa sim! E no meu caso, eu também precisava rever esse texto de temas transversais. Claro que o texto é mais antigo, então fala dos temas transversais trabalhados nos parâmetros curriculares nacionais. Que, de certa forma, a BNCC depois trouxe outros temas contemporâneos transversais – essa discussão evoluiu um pouquinho. Mas ainda assim, esse texto da Darido, como a maior parte dos textos dela, são muito didáticos. É muito fácil de compreender, é muito aplicável. E a preocupação dela, o tempo todo, de que a Educação Física vá além do procedimental, trabalhe também com conceitual e atitudinal, consegue ficar reforçado e demonstrar como isso é possível nos textos. Então, definitivamente, uma leitura que vale a pena.

MACHADO, R. P. T. Uma aventura olímpica: Novas modalidades, novos desafios. Olimpianos. Journal of Olympic Studies. v. 1, n. 3, p. 220-231, 2017 (adaptado).
MORETTI, A. C. et al. Práticas corporais/Atividade física e Políticas Públicas de Promoção da Saúde. Saúde e Sociedade, v. 18, p. 346-354, 2009 (adaptado).
COELHO, F. M. O Cotidiano da Gestão Escolar: o método de caso na sistematização de problemas. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 40, n. 4, out./dez. 2015, p. 1.261-1.276 (adaptado).
AMADIO, A. C.; SERRÃO, J. C. A biomecânica em educação física e esporte. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte. v. 25, n. spe, São Paulo, p.15-24, dez. 2011 (adaptado).
GOMES, F. S. et al. Antropometria como ferramenta de avaliação do estado nutricional coletivo de adolescentes. Revista de Nutrição, v. 23, p. 591-605, 2010 (adaptado).
(apenas em inglês) BACIL, E. D. A. et al. Maturação Biológica e comportamento sedentário em crianças e adolescentes: uma revisão sistemática. Journal of Physical Education. v. 27, 2016 (adaptado).
GONZÁLEZ, FJ; FENSTERSEIFER, P. E. Entre o não mais e o ainda não: pensando saídas do não lugar da Educação Física escolar I. Cadernos de Formação RBCE, v. 1, n. 1, 2009.
GONZÁLEZ, FJ; FENSTERSEIFER, P. E. Entre o não mais e o ainda não: pensando saídas do não lugar da Educação Física escolar II. Cadernos de Formação RBCE, v. 1, n. 2, 2010.
Capítulos do livro “Desafios da Educação Física Escolar: temáticas da formação em serviço do ProEF”

1 Educação Física como componente curricular da Educação Básica: aspectos legais

Fala sobre a educação física na LDB, essencialmente. Fala de uma parte um pouco mais histórica, fala sobre hoje em dia e como a forma que aparece na LDB traz alguns desafios. Então é tanto a parte histórica da LDB, de você saber o conteúdo que está lá, como também alguns desafios e algumas críticas possíveis ao fato da LDB ter colocado a educação física da forma como colocou no decorrer do tempo.

2 Relação entre ensinar a fazer e ensinar sobre o fazer na educação física escolar

Aborda a questão de como o procedimental sempre foi o foco na Educação Física e como a gente deve trabalhar o conceitual. Mas, ao mesmo tempo, como é difícil trabalhar o conceitual. Só que é interessante porque o texto fala pouco de conceitual e procedimental. Ele fala mais do saber fazer e o saber sobre o fazer. Eu vejo que muita gente tem dificuldade nesse conteúdo. Ele é um conteúdo muito, muito, muito promissor de aparecer na Prova Nacional Docente pela característica dos temas que foram indicados. Então também é um conteúdo que vale muito a pena você ler esse capítulo 2.

3 Educação Física: planejando o trabalho docente

Esse capítulo, sobre planejamento, indica que falaria de planejamento de Educação Física, mas não fala de forma muito específica de Educação Física mesmo. Fala de outros aspectos e, na hora de falar de Educação Física, meio que foge do assunto. Eu achei que poderia ser um pouco mais didático, mas não foi, mas faz parte, né? Mais uma leitura, mais alguns pontos interessantes, com um pouco de história de educação, que pode ser útil pra você também, de repente até pra parte da formação geral comum da Prova Nacional Docente.

4 Objetivos e conteúdos para o ensino da Educação Física escolar

É um texto que se propõe a ser bem didático, falando o que são objetivos e o que são conteúdos. Eu não gostei muito dele porque ele traz recomendações de educação infantil, ensino fundamental, ensino médio, baseado em autores na parte dos objetivos e não exatamente no que a gente tem nos documentos oficiais, como base nacional comum curricular ou mesmo parâmetros curriculares nacionais. Achei meio estranho por isso, mas também é interessante, acho que vale a leitura, mas poderia ser melhor, especialmente nessa parte de relacionar com os documentos oficiais.

5 Inquietações no tratamento do esporte na Educação Física escolar

Gostei muito desse texto. Eu gosto muito do conteúdo de esporte na Educação Física e esse é um texto muito bem escrito, uma discussão muito interessante sobre qual é o papel ou como o esporte deve ser trabalhado. Então, tema que é muito presente em concurso, e a discussão ali está bem feita. Acho que incorpora bem discussões, pontos importantes. Então, definitivamente, uma leitura bem recomendada.

6 O afastamento e a indisciplina dos alunos nas aulas de Educação Física escolar

Conteúdo que eu achei muito bom, muito bem escrito também, muito interessante, acho que muito aplicado à realidade cotidiana da Educação Física Escolar. Com certeza, existem mais estudos, existem mais possibilidades de tratar esse assunto, mas eu achei um conteúdo bem legal. A gente vê pouco isso sendo cobrado de forma específica da Educação Física nos concursos, mas ainda assim, acho que foi uma leitura bem bacana, vale a pena também, e pensando não só em concurso, mas na atuação profissional.

7 Educação Física Escolar: entre o “rola bola” e a renovação pedagógica

Esse texto aborda o “meio termo” que estamos na Educação Física, porque a gente sabe o que não deve ser feito, mas a gente ainda não sabe exatamente o que fazer. E essa é uma discussão muito interessante. Eu acho que a gente já sabe muito mais o que deve ser feito, mas ainda muitas pessoas têm muita dificuldade, e professores, mesmo depois de formados e mesmo com a atuação, ainda têm muitas incertezas sobre o que deve ser feito, pensando a atuação profissional mesmo, o que deve ensinar, como deve ensinar. Então, é um capítulo muito bom, uma discussão muito interessante.

8 Educação Física escolar e a questão de gênero

Eu gostei muito da proposta que o autor utilizou para abordar esse assunto. Ele traz algumas questões conceituais, que são sempre importantes, mas também abordou, essencialmente, como muitas vezes a gente deixa de dar a oportunidade para todos os alunos e alunas nas possibilidades da cultura corporal. Essencialmente, essa é a luta pela necessidade de discutir e entender a questão de gênero. Eu sei que essa é uma discussão bastante polemizada e se torna política por distorções, mas, essencialmente, o que esse autor coloca, e o que eu também, pessoalmente, concordo, é que a gente precisa se preocupar para que todos os nossos alunos e alunas, independente do gênero, tenham a oportunidade de ter uma Educação Física de qualidade.

QUIXABEIRA, A. P. S. et al. Metodologias ativas e o ensino de Educação Física: uma revisão da literatura. Revista Observatório, [S. l.], v. 7, n. 1, 2021

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Bárbara Schausteck de Almeida Atividades de Ensino de Educação Física
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